Primeira vaga na programação: depois de um ano e meio tentando, aluno conquista oportunidade como pleno
Este aluno vinha sendo reprovado em processos seletivos antes de se tornar um Javanauta. Aos 33 anos, tentando mudar de profissão e precisando de dinheiro, começou a considerar...
Este aluno vinha sendo reprovado em processos seletivos antes de se tornar um Javanauta. Aos 33 anos, tentando mudar de profissão e precisando de dinheiro, começou a considerar se deveria desistir da programação.
Ele chegou a procurar a professora Angélica (Javanauta) para contar que estava perto desse limite. Mas foi incentivado a não desistir.
Pouco tempo depois, recebeu a confirmação de sua primeira contratação como desenvolvedor: uma vaga de programador Pleno na Avanade, para trabalhar com Java e Angular.
Entre a entrada na formação da Javanauta Academy e essa aprovação, passaram-se aproximadamente cinco meses. Mas essa história começou antes: o aluno Júnior já vinha estudando cerca de um ano e meio entre tentativas sem conseguir a oportunidade que buscava.
O que mudou nesse período? Na conversa com os professores, ele explicou como estudou, organizou sua busca e se preparou para a entrevista que terminou em contratação. Assista:
Antes da contratação, houve frustração e vontade de desistir
Júnior veio da Administração e começou a aprender Java por conta própria, acompanhando vídeos no YouTube. Também iniciou a graduação em Análise e Desenvolvimento de Sistemas.
No começo, entender estruturas como loops e arrays já exigia esforço. Depois, surgiu outra dificuldade: enfrentar processos seletivos enquanto ainda estava construindo sua base.
Uma das primeiras entrevistas foi para estágio. Ele estava nos primeiros meses da faculdade e encontrou vários profissionais fazendo perguntas técnicas. Saiu frustrado, questionando se programação era mesmo para ele.
Em outro momento da transição, trabalhou como analista de sistemas em uma função ligada ao negócio, sem atuar com desenvolvimento. Era uma forma de trabalhar e se manter, mas ainda não era o que buscava.
Quando entrou na Javanauta Academy, já carregava esse histórico. E a pressão continuava: precisava de renda, recebia negativas e ouvia perguntas sobre até quando insistiria naquele caminho.
Por isso, olhar apenas para os cinco meses até a aprovação deixa de fora uma parte importante da trajetória. A conquista veio depois de estudo anterior, dificuldades e várias tentativas.
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O projeto que ele conseguiu explicar na entrevista
Na formação, Júnior desenvolveu um gerenciador de tarefas com Backend em Java e Frontend em Angular, lidando com Microsserviços, BFF, bancos de dados MongoDB e PostgreeSQL, dentre outras tecnologias como Docker, Mensageria com RabbitMQ e Kafka.
Antes da entrevista técnica, pediu uma orientação à professora Angélica. A recomendação foi estudar o projeto que havia construído durante o curso.
Ele levou isso a sério.
Abriu o repositório no GitHub, revisou as pastas, executou novamente a aplicação e voltou ao código. Estudou a organização das camadas, os serviços e a integração entre backend e frontend.
Na entrevista, essa preparação encontrou perguntas concretas. O entrevistador quis entender como a aplicação funcionava, como os microsserviços estavam organizados e quais decisões haviam sido tomadas.
Também perguntou sobre mensageria, citando Kafka e RabbitMQ, e questionou por que Júnior não havia utilizado arquitetura hexagonal naquele projeto.
Júnior conseguiu conversar sobre essas escolhas e discutir possibilidades de evolução da aplicação. Segundo seu relato, o entrevistador reconheceu seu conhecimento sobre a arquitetura do sistema.
“Foi um divisor de águas para mim ali na hora da entrevista.”
Esse é um dos pontos mais úteis para quem está montando um portfólio: o projeto precisa sustentar uma conversa técnica.
Conseguir mostrar uma aplicação funcionando é um começo. Entender suas partes, explicar decisões e reconhecer suas limitações permite demonstrar muito mais do que uma lista de tecnologias no currículo e isso é exigido mesmo em um período onde é possível desenvolver aplicações com Inteligência Artificial.
Aprender como as partes se conectam mudou sua compreensão
Quando começou a formação, Júnior não tinha interesse em trabalhar com frontend. Seu foco era Java.
Ao estudar Angular e implementar a comunicação com o backend, passou a entender melhor o funcionamento de uma aplicação completa: a interação na interface, a chamada ao serviço e o processamento no servidor.
Aquilo que antes parecia complicado começou a fazer sentido durante a implementação.
Essa compreensão também era relevante para a oportunidade que surgiu: a vaga envolvia Java e Angular.
O aprendizado foi além do código. Júnior contou que passou a utilizar branches, pull requests e integração contínua no Git. Também aprendeu a organizar o trabalho em um quadro Kanban e dividir entregas em tarefas menores.
Na entrevista, o avaliador demonstrou preocupação com sua falta de experiência trabalhando em equipe. Júnior pôde explicar como organizava seus projetos e quais práticas já utilizava.
Isso não substituía a vivência profissional que ainda iria adquirir. Mas lhe deu exemplos concretos para responder àquela preocupação.
A oportunidade chegou pelo LinkedIn: e ele já estava se movimentando
Foi uma recrutadora que procurou Júnior pelo LinkedIn para apresentar a vaga.
Até esse contato, porém, ele vinha usando a plataforma ativamente. Segundo seu relato, entrava todos os dias, buscava conexões, acompanhava oportunidades e conversava com recrutadores.
Quando se candidatava a uma vaga, também procurava o profissional responsável para se apresentar e informar sobre a candidatura. Ele contou que conseguiu entrevistas dessa forma.
Sua presença na plataforma não dependia de publicar conteúdo diariamente. Incluía conversar com pessoas, participar de discussões e manter o perfil atualizado com os projetos desenvolvidos.
Para quem está buscando a primeira oportunidade, vale observar essa combinação: preparação técnica e ações para chegar às pessoas que contratam.
Ao apresentar projetos no perfil, descreva com precisão o contexto do trabalho. Projetos pessoais e acadêmicos podem demonstrar conhecimento; trabalhos para clientes devem ser identificados como tal. O importante é tornar sua prática visível e conseguir explicar o que você realmente fez.
A preparação para a entrevista também mudou
Júnior reconheceu que, no início, não costumava estudar especificamente antes das entrevistas. Na sua avaliação, isso pode ter contribuído para algumas dificuldades que enfrentou.
Para o processo que terminou em aprovação, fez diferente: revisou o projeto, retomou conceitos e pesquisou sobre a empresa.
Durante a conversa técnica, que durou aproximadamente uma hora, precisou responder sobre o sistema desenvolvido e também explicar por que queria trabalhar naquela organização.
A entrevista incluiu uma pergunta sobre inteligência artificial. Ele contou que procurava implementar primeiro e recorria à IA para ajudar a resolver dificuldades, entender problemas e ganhar velocidade.
O relato reforça uma preocupação importante na preparação: independentemente das ferramentas utilizadas, é preciso compreender e conseguir discutir o trabalho apresentado.
Por que sua primeira vaga foi como pleno?
Segundo Júnior, o processo considerava posições de pleno e sênior. Após a avaliação técnica, o entrevistador indicou seu enquadramento como pleno.
Isso não significa que aprender determinada lista de ferramentas transforme automaticamente alguém em desenvolvedor pleno. A contratação refletiu a avaliação daquela empresa, para aquela oportunidade.
Ainda assim, sua conquista mostra por que vale prestar atenção aos requisitos e às responsabilidades de uma vaga, além do título. Ele contou que, inicialmente, se limitava às oportunidades de júnior. Depois, ampliou as candidaturas e participou de outros processos para pleno, inclusive alguns em que não avançou por falta de experiência profissional.
A aprovação veio em uma oportunidade na qual conseguiu demonstrar conhecimento suficiente para o enquadramento proposto pela empresa.
O “sim” chegou depois de muitos “nãos”
Mesmo depois da entrevista técnica, houve espera.
Júnior recebeu a informação de que havia sido aprovado naquela etapa, mas ainda faltava a aprovação do cliente. O retorno demorou mais do que ele esperava, e a ansiedade voltou.
Até que chegou a mensagem de boas-vindas.
O medo não desapareceu com a aprovação. Agora, porém, era o medo de começar uma etapa que havia passado tanto tempo tentando alcançar.
Para quem ainda busca a primeira vaga na programação, esse relato oferece pontos concretos para avaliar a própria preparação:
Você consegue explicar as decisões dos projetos que apresenta?
Entende como as partes da aplicação se conectam?
Revisa seus projetos e pesquisa a empresa antes das entrevistas?
Mantém seu perfil atualizado e conversa com profissionais da área?
Usa as dificuldades dos processos anteriores para orientar o próximo estudo?
Quem quer trabalhar com programação precisa começar a construir essa oportunidade enquanto estuda. A formatura não pode ser o primeiro momento de descobrir se a preparação fez sentido.
Na trajetória de Júnior, isso envolveu voltar aos fundamentos, desenvolver e revisar projetos, buscar orientação e continuar participando de processos mesmo depois das negativas.